Uma coisa que eu gosto são as tolices.

Somos todos tolos. Todos já nos enganamos com alguma bobagem. Eu, por exemplo, sempre adorei os Trapalhões e adorava a música da Calói, que sorteava uma bicicleta após os programas. Era assim:

"Pedalando, pedalando, pedalando com a Calói.

Pedalando, pedalando, pedalando a poupança num cadói."

Cadói? Que porra era essa? Imaginei que fosse a jeito paulista, pois a Calói era de São Paulo, de chamar o selim. Cadói era um selim, certo? Errado! Descobri recentemente como é música na verdade:

"Pedalando, pedalando, pedalando a poupança nunca dói."

A bunda não vai doer. Entendi, mas o Fried me explicou que isso era a propaganda subliminar para dizer que a "poupança" seria a de dinheiro.

Daí a Balu me contou a sua tolice. Na época da morte do Tancredo Neves a televisão de sua casa ficava ligada o dia inteiro para assistir aos plantões de notícias. Os mais velhos pediam para ela ver se o Tancredo ainda estava vivo. Ela ia até a tv e lia na tela "ao vivo". Voltava e dizia para os parentes que o velho ainda tava vivo. Até no dia do enterro ela teimava em dizer que ele tava vivo.

- Mas olha ai na tv, tá dizendo que ele tá vivo!

Contei essas histórias pro Vavá. Ele não deu a menor atenção. Fiquei sem graça. Mudei de assunto e falei que queria levar o Al para casa e pegar a Silver.

- Quem? - Perguntou o Vavá.

Al é meu carro e SilverFênix é minha moto. Chamo-a carinhosamente de Silver. Ele aquiesceu. Perguntei se ele não apelidava os carros.

- Só apelidei meu pau.

- E qualé?

- Também é Al.

- Al? Igual o meu carro?

- É. Até tatuei Al no meu pau.

- Porque Al? Porque é pequeno é só coube Al?

- Al quando tá murcho. Inteiro é Austragésilo de Athaíde.

"São tolices", eu sei.

Outra coisa que eu gosto é de livros.

Assisti a bons filmes nos últimos dias: O selvagem da Motocicleta, Guerra nas Estrelas, Kay Pak. Fiquei pensando com o botão da minha bermuda... putz, na era moderna os mitos são criados pelo cinema. O senso comum no futuro vai ter absorvido os conhecimentos dessa minha geração através dos filmes. Porém nem todos os filmes são épicos. A maioria dos bons filmes foi produzida sobre bons livros. Os que surgiram de roteiros transformaram-se em livros depois do sucesso. Ou seja, na verdade os livros ainda são a base de todo a construção cultural. Não foi dessa vez que nos derrotaram! As letras ainda perdurarão!

Inda mais porque para fazer um filme precisa-se de muitas pessoas. Para fazer um livro basta um bom cérebro e alguns dedos úteis.

Como diria Bukoski, "isso é muita merda, mas é bom".

fin

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