Gosto de atitude rock'n roll e detesto história pautada.

 

Uma coisa que eu gosto é atitude rock'n roll (participação especial - Velhas Virgens)

 

Sapassado eu taviminas. Curti di montão as cachaças e meus parentes mineiros. Aproveitei para ver um show das Velhas Virgens no festival Roça'n Roll em Varginha.

- Já tá na hora. Vamos! - Fui ao show com minha tia, uma nanica espevitada. - Já são duas da tarde.

- Mas, tia, o show das Velhas deve ser lá pelas dez da noite.

- Lá em Varginha as coisas são diferentes... - Anunciou com voz de medo para me assustar. Conseguiu. Temi ser abduzido pelos Etês que se misturaram aos cidadãos.

Chegamos ao festival às quatro da tarde e as Velhas tocaras às duas da manhã. Eu já estava doidão de sono. O vocalista parecia o Charles Bukowski com quarenta anos. Ele abria as latas de cerveja na testa e punhetava a latinha gozando nos fans da frente.

- Vagina, - gritou ao microfone - ou melhor, Varginha, adoro esse nome, seus filhos da puta, VOCÊS QUEREM ROCK'N ROLL?

- Yeah! - Respondemos em uníssono.

E dá-lhe som e putaria. Memorável. Porém durante o espetáculo notei que minha baixa tia encolhia-se ainda mais.

- Eles falam muita merda, não é, tia? - Perguntei aos berros em seu ouvido.

- Muita. - Ela respondeu com o cenho franzido. - Tô adorando! - Concentrou-se no palco para não perder nenhuma baixaria.

Pura atitude rock'n roll. Energia com poesia e grandes doses de diversão. Atitude rocker não precisa ter apenas música rock, mas exige empolgação, pacifismo, respeito às diferenças e muita vontade de se divertir. Yeah, rock'n roll, babe, rock'n roll.

 

 

Uma coisa que eu não gosto é história pautada.

 

Tenho um amigo que só me conta da vida aos poucos, na medida dos acontecimentos. Ele me telefonou e começou a história.

- Fui jogar bola e torci o pé. Doeu pra caralho mas continuei jogando. Ai torci o joelho.

Gargalhei.

- Tá ficando velho mesmo.

- Acabei no médico e tomei umas drogas que acabaram com meu estômago. Fui para casa meio tonto e acabei batendo o carro.

Rolei no chão de rir. O fio do telefone se prendeu no meu pescoço.

- Muito mané. - Eu perdia o ar. - Que comédia.

- Estourei a cabeça no pára-brisa. Voltei ao hospital e passei a noite na UTI.

- Como é? - Estanquei. - Foi sério?

- Quase morri!

Fiz uma pausa para me recompor. Eu pensei que fosse apenas mais um dos casos malucos do meu amigo.

- E agora, como você está?

- Ainda tô mal, cara! - Confidenciou-me.

- Quer ajuda? - Fiquei preocupado. - Quer que eu vá até sua casa para cuidar de você?

- Aqui em casa? Não precisa. A Bel, a Isadora e Gildete estão cuidando de mim.

- ??? - Pensei um pouco antes de falar. Cada uma das garotas era uma namorada secreta do meu amigo. Nenhuma sabia da existência da outra. Por isso eram secretas. - Ué, mas as três juntas?

- Tá bom aqui. - Pude sentir seu sorriso ao telefone. - Elas ficaram com pena de mim e aceitaram me dividir.

Voltei às gargalhadas. O pilantra havia se saído muito bem. Porém não deixei de bronquear com sua estranha mania de contar histórias. Eu nunca sei se o final será feliz ou triste.

 

fin

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