Agradecer e gente boa: duas coisas que gosto

 

 

Uma coisa que eu gosto é de agradecer

- Obrigado, viu, moço. – Disse-me a humilde senhora.

- Não tem de quê. – Respondi automaticamente.

- Não, moço, obrigada mesmo. – Ela segurou meu pulso gentilmente, olhando-me fundo nos olhos.

Meditei antes de responder.

- Foi um prazer.

Ela sorriu e foi embora. Continuei parado enquanto ela cruzava a esquina. O pequeno favor que eu fizera era uma grande necessidade para aquela senhora e, por isso, quis ter certeza que eu entendia sua gratidão. Bacana da parte dela. Eu também sou assim.

Gosto de agradecer. Um obrigado, um valeu, um “thanks”sempre saem juntos a um olhar de gratidão quando me fazem qualquer favor, mesmo àqueles obrigados por lei, como a faixa de pedestre (quando sou pedestre).

- Obrigado por parar! – Grito enquanto corro sobre a faixa para incomodar menos aos motoristas. Diferente de quando sou motorista e o pedestre passa rebolando sobre a faixa e penso “acelera essa bunda gorda, cabeça de mamão”.

Agradecer cria amabilidade entre as pessoas e, caramba, é isso que apregoam todos os profetas, deus e semi-deuses, ao pedir para “amarmo-nos uns aos outros”.

- Valeu, Bené. – Disse ao dono do restaurante após receber o troco correto no caixa.

- Como você sabe meu nome? – Rosnou o homem, uma massa humana de 1.90 metros e uns cento e trinta quilos, retendo as moedas na mão.

- Perguntei para um garçom, o Baixinho.

O homem sorriu e, envaidecido pelo meu agradecimento e interesse, acrescentou uma cocada nas moedas.

Hoje em dia distribuo os doces de troco que recebo entre os colegas de trabalho. A cada dia o Bené me trata com mais atenção e guloseimas apenas por causa de um “valeu, Bené”. Acho que ninguém agradecia ao cara, pelo seu jeito agressivo de ser. Não importa. Especulação.

O que importa é que eu gosto de agradecer. E quero agradecer. A todos. Aos amigos que me agüentam, aos familiares que são obrigados a me agüentar, à minha mulher que eu não sei como me agüenta, aos que lêem a estas croniquetas insuportáveis, aos inimigos que não me enchem o saco, às pessoas anônimas que convivem no mundo sem me perturbar (gostei dessa palavra, parece “perto do bar”), aos roqueiros, aos motoqueiros, aos peladeiros e principalmente ao Wander Wildner.

Obrigado.

 

Outra coisa que eu gosto é de gente boa

Das coisas que aprendi na vida uma delas é que gosto de gente boa. Para meu espanto, entre todas as pessoas que conheço no mundo, as mais gente boa são exatamente os meus amigos. Quanto mais íntimos, mais gente boa.

Parece uma graça da Força.

Gente boa é aquele que tem um monte de defeitos e qualidades, mas isso não importa, o que vale é que ele tem um bom coração. Aquela breguice, coisa e tal. O gente boa é o mais bacana dos humanos pois sabe que o bem alheio é o seu bem próprio. Isso faz dele um ser diferenciado.

Tem o gente boa que te surpreende com sua evolução e sua maturidade, mesmo que suas opiniões não estejam em perfeita sintonia com as suas; tem o gente boa que fica ao seu lado mesmo sem precisar, mas simplesmente porque gosta; tem aquele que te defende incondicionalmente, dando a voadora nas costas dos outros, mesmo que isso agrida a quem não mereça e prejudique a resolução do problema e, por último, tem aqueles gente boa que estão longe mas são tão próximos que parecem estar sempre conosco.

Fico feliz por estar cercado de pessoas assim, gente boa. Mas ainda não entendo o por quê d’eu conhecer tantos gente boa. Talvez esse seja meu poder mutante, rastrear e reconhecer gente boa.

Bem, valeu, gente boa.

 

fin

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