Hotel Guarapari

 

Os namorados buscavam algum lugar mais íntimo. Sem dinheiro para motel e nem coragem para se arriscar nalguma “quebrada”, rodaram de carro até ver o letreiro em néon: Hotel Guarapari.

Estava caindo aos pedaços. No outrora belo salão de entrada, apenas uma janela sem os vidros quebrados. O sofá sem braço mais manchado que babador de criança.

- Quanto? – Perguntou o rapaz.

- Quinze. – O gordo atendente, de camiseta branca, trocou de lado o palito na boca.

“Só isso?” pensou o jovem.

- Por hora?

- Por noite. – Resmungou o gordo.

“Oba”. Pagou a diária, assinou o livro, recebeu a chave e buscou a namorada.

- O quarto custa um quarto de motel. – Contou, alegre, à garota.

- Como?

Ele queria dizer que o quarto no hotel Guarapari custava apenas ¼ do preço de um quarto em qualquer motel, mas tava com muito tesão para repetir.

Enroscaram-se num saboroso beijo seguido de bolinações e entraram no quarto. Furunfaram até se saciarem. Suarentos, o namorado acendeu um cigarro e ela reparou as cortinas.

- Este quarto é um lixo. – Saiu da cama, exuberante, pesquisando os móveis. As tetas balançavam suaves no ritmo dos passos. Ele apagou o cigarro pois seu corpo acendera.

Foi surpreendida por um abraço suave e o rígido membro do namorado a cutucar-lhe as ancas. Arrepiou-se. Esqueceu qualquer coisa além do corpo másculo à sua frente. Sua pele ardeu, quis senti-lo. Abraçou-o e foi puxada para a cama.

Ao final do segundo ato, ela resolveu futricar os armários. Ele puxou uma pestana.

Um grito o acordou. Pulou da cama preparado para o combate (contra qualquer agressor, bem entendido).

- Que foi? – Os punhos fechados em frente ao rosto.

Ela apontou para cima do armário. Acurando a visão, percebeu um pequeno buraco redondo e dentro uma lente. Arrancou a portinhola e viu a filmadora. A luz vermelha indicava o funcionamento. Fios sumiam dentro da parede, era controlada de outro lugar.

Nem se deu ao trabalho de vestir a cueca. Foi direto ao gordo da recepção e o agarrou pela camisa encardida.

- Você nos filmou? – Perguntou aos berros. – Tarado filho da mãe!

O gordo, assustado, não reagiu.

- Desculpe. Eu apago a fita. – Abaixou a voz, envergonhado.

Foram para o estúdio. Dezenas de fitas, com datas e nomes, além de dois monitores mostrando alternadamente vários quartos. O gordo procurou a fita do casal.

- Passe o filme para a gente ver se somos nós mesmos. – Pediu a garota, enrolada numa toalha.

Na tela, o namorado trabalhava por trás na moça, segurando-a pelas ancas, o rosto suado e com um sorriso safado. Ela gemia e apoiava os seios no colchão, empinada, a pele brilhando.

- Sabe, – Ela falou. – gostei desse filme.

O namorado a olhou incrédulo. Percebeu, então, que ela tinha planos.

- O que você faz com as fitas? – Ela perguntou ao gordo.

- Punheta!

- Tenho uma proposta. – Abraçou o namorado antes de continuar.

Acordaram em não denunciar o gordo à polícia em troca de quantas hospedagens fossem capazes de consumir. E, também, das fitas que gerassem.

- Mais uma coisa. – Falou o namorado. – Quero assistir os outros filmes.

- O que? – Ralhou ela. – Para quê?

- Inspiração para nossas próximas “super-produções”. – Afinal, pensou, se o gordo e sua namorada estavam com seus fetiches saciados, ele também queria sua casquinha.

 

fin

Gostou? Não gostou? Nem leu? Quer que o Mão Branca vá se foder? Escreva para ele: Mão Branca

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