Uma coisa que não gosto é "paliativo".

Detesto gambiarra! Embora a realize várias vezes. Se tem algo estragado, há que ser consertado completamente. Não adianta ficar pregando durex nem colando durepox. Tem que arrumar! Isso vale principalmente para a vida!

O paliativo que mais detesto são os religiosos.

Vejamos: alguém tá na merda total. Problemas com grana, amor, na vida em geral. Tá tão desesperado que apela a quem? A um deus, é claro! Já que a razão não dá jeito, procura-se a magia! Entra numa igreja qualquer. Começa a seguir as regras da religião. Obviamente alguns resultados ele obterá pois as regras religiosas, que são comuns a todas as religiões, obrigam à correição e à caridade. Quem age assim tem a vida mais regrada e, conseqüentemente, mais satisfatória. Aquele que estava na merda total "entende", então, que algum deus tá fazendo alguma coisa por ele. Uma sorrelfa! Enfia-se ainda mais de cabeça na religião.

O pobre infeliz não entende que a religião é apenas um placebo.

Placebo é o remédio ineficaz que serve apenas para "dar uma força" aos desenganados. A religião age como um placebo: bota a vida do sujeito nos trilhos não por ela ser poderosa, mas apenas por fazer o camarada sair da esbórnia e começar a fazer o que é certo.

O grande problema é que um dia ele entenderá que não é a religião que lhe fez bem, tampouco o temor a algum deus, mas tão somente suas próprias atitudes.

Porque é preciso passar por uma religião para fazer o bem?

Religião é placebo! Só espero que a gentalha que entrou na Universal, pois tava na cadeia ou porque vivia numa guerra urbana, quando perceber a verdade sobre sua igreja, não volte a ser o que era antes. Senão a gente tá fodido, pois tem crente pra todo lado!

Por fim, será que "temor a deus" não é o medo de não receber mais as "graças divinas", ou seja, um placebo?

Outra coisa que não gosto é de chegar atrasado.

No domingão passado chegamos ao Nilson Nelson exatamente na hora do jogo. Até encontrar um cambista e entrar no estádio, todos os espaços foram preenchidos. O lugar tava entupido. Voltei para casa para ver o 2o tempo. Uma tristeza.

Chego atrasado em tudo que faço. Até acho que estou atrasado em relação à vida, pois mesmo minha aparência não condiz com minha idade.

É tudo culpa da porta! Sempre que chego à porta para sair, lembro que esqueci algo. Pode ser a pia aberta, a cerveja no congelador ou a privada sem descarga. Volto trocentas vezes para averiguar as coisas. E tome atraso. Será que estou com alguma síndrome de pânico?

Uma coisa que gosto é homem que chora.

Homem pra chorar tem que ser macho. Inda mais nessa sociedade hipócrita em que vivemos. Eu mesmo choro pra caramba! Isso só prova que sou mais macho até do que penso. Mas não é disso que vou falar.

Na sexta passada o show do Leo Jaime foi massa. Ele é o maior desbocado.

- Qual música vocês querem ouvir?

- Gatinha Manhosa.  - Gritou alguém do povo.

- Bem, quem manda nesta merda aqui sou eu e vou cantar o que eu quiser. Vá se foder!

A gentalha gargalhava. Eu achava engraçado, mas não esquecia que estava incluído na parte do "vá se foder".

O Phelipe Seabra subiu ao palco e tocou duas ou três músicas com o Leo. Quando entrou na quarta, a galera chiou.

- Sai fora, arroz! Deixa o Leo cantar em paz!

Depois de cantar "A vida não presta",  Leo explicou que gravou aquela música há quase 20 anos. Ela nunca foi regravada por ninguém e nunca entrou em nenhuma coletânea, mesmo assim todos sabiam a letra. Eu mesmo a havia escrito no email de convite do show.

- Eu fiz uma coisa na minha vida: uma música! - E encheu os olhos de lágrimas.

Gostei! Acho que chorar lava a alma! Mesmo em mim, que não tenho alma!

Outra coisa que gosto é dicionário.

Pai dos burros, né, paizão!? Não sei o que seria de mim se não fosse o dicionário. Qualquer um tá valendo. Uso muito a merda do Aurélio, contudo prefiro o Houass ou o Michaelis. Procurava hoje a palavra "placebo" para escrever as besteiras acima, quando descobri que sobrolho é a mesma coisa que sobrancelha. Aposentei a sobrancelha. Substantivo xarope de escrever e falar. Sobrolho é muito melhor.

- Levei uma bolada no sobrolho que me deixou sotoposto.

Ah, sotoposto é posto por baixo. Traduzindo, fica:

- Levei uma bolada na sobrancelha que me deixou por baixo.

Criei até uma gíria culta, "transportando" o sentido da palavra sotoposto.

- Tudo bem?

- Que nada, tô meio sotoposto (tradução: tô meio deprê).

Dicionário é massa!

fin

Gostou? Não gostou? Nem leu? Quer que o Mão Branca vá se foder? Escreva para ele: Mão Branca