Sou brasileiro e não me orgulho nunca

Parte VI

Ninguém me perguntou se eu queria ser brasileiro.

- Quer ser brasileiro?

- O que eu ganho com isso?

- Bem, aqui não tem furacão.

Mas tem É o Tchan e o Severino. Se bem que lá fora eles têm a Britney e o Bush, ou o Bekhan e o Blair, ou o Maradona e o resto dos argentinos. O peido precede a merda.

- Só essa vantagem?

- Calma. Você ganha também um lindo litoral em metade do território.

- Ueba. Onde vou morar?

- Em Brasília - no centro do país.

Os governantes pensam na transposição do São Francisco. Qual nada, deviam é pensar na importação da praia até a capital.

- Eu prometo! - Diria o Joaquim.

- Mas, governador, - Cochicharia o assessor. - Isso é impossível.

- Não seja catstrastrósfico, meu filho.

Quem sabe uma tsunami gigante não leva a costa até o Paranoá?

- Minas Gerais ficaria submersa!

- O que perderíamos além do pão de queiro?

- As cachaças de Salinas!

Deixando essa idéia de lado, detesto a noção de ser algo apenas por nascer assim.

- Você é filho do seu pai, então vai ser brasileiro.

- Não, meu pai é outra coisa.

- O que?

- Ele é legal!

Queria ter podido escolher minha nacionalidade.

- Onde posso nascer para ter o que eu quero?

- O que você quer?

- Um lugar aprazível, com bela natureza, com gentes de todos os tipos, muita diversidade, um povo organizado, com dirigentes corretos, chances iguais para todos, sem leis em excesso ou estapafúrdias, onde se beba destilados de cana de açúcar e com bastante sol.

- Já sei!

- Onde?

- Num cupinzeiro.

fin

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