Adoro a lógica e a vaidade feminina e amo o dia internacional a mulher
Fui a um jantar. Na mesa, a dona da casa dispôs garfos e facas alternadamente. Um garfo e uma faca para cada um dos sessenta convidados. Tudo lindo e arrumado. - Tá errado! Comentou. Um garfo ficou por último na arrumação. Tinha que ser uma faca. Rapidamente pôs-se a trocar cada faca de lugar com cada garfo. - Perai, querida. Balbuciei sobre o copo do vinho. Fui até a mesa e simplesmente tirei um garfo. A disposição dos talheres ficou, então, alterada, com uma faca por último. - Obrigada. Disse ela. Mas vocês, homens, são o fim! Nunca fazem nada e quando fazem, ficam com esse ar de superioridade. Sorri, desfazendo o tal ar. Noutro dia, conversando no portal da minha vizinha, sua filha apareceu avisando que iria sair e beijou a mãe. Entrou no apartamento, foi para a cozinha, abriu a porta de serviço, saiu e fechou a porta. Tudo isso com a porta social aberta. - Desculpe, mas por que você saiu pela porta da cozinha? Tive que perguntar. - Porque minha chave é da cozinha! Foi a resposta. - Certo, mas... por que você saiu pela cozinha se a porta social estava aberta? - Não ouviu? Faltou me chamar de burro. Minha chave é da cozinha. Mãe, explica pra ele. Minha vizinha, mulher, encarou-me. - A chave dela é da cozinha! - Ah, a chave dela é da cozinha... Repeti. A garota era loira e as loiras são incompreensíveis até para outras mulheres. - Viu?! Entrou no elevador, vitoriosa. Coisa simples. Simplésima, pensei. Voltei a assumir aquele ar superior.
Outra coisa que adoro é a vaidade feminina.
Desci da moto e tirei o capacete. A secretária, que fumava um cigarro, alertou-me: - Seu cabelo tá bagunçado. Passei os dedos pela cabeça para fingir que os arrumava. - E o seu cinto não combina com o sapato. Completou. Eu nem sabia que estava de cinto. Subi para minha sala. A chefa de outra seção apareceu: - Bom dia! Olhou-me da cabeça aos pés. Sua camisa tá com um furo debaixo do braço. Olhei o buraco e imaginei como ela o descobriu. Tentei trabalhar, mas um grito estridente chamou meu nome. Era a diretora. - Fala, patroa. - Hoje teremos reunião no gabinete do Secretário... mas você não poderá ir. Pensei em perguntar por que, então, eu havia sido gritado, mas calei-me. - Isso lá é jeito de vir trabalhar? Ela franziu a testa. - Como assim? - Você parece um molambo. Por que não se arruma melhor? - Mas a roupa tá limpa! Argumentei. - Presta atenção, filho. Ela tomou ar. Você tem que se apresentar melhor pois a primeira impressão é o cartão de visita da pessoa. A roupa e o cabelo são a moldura da aparência. Com mais zelo, logo aprenderá até a valorizar o que tem de mais atrativo. Sai dali pensando no que eu tinha de atrativo. Seria meu físico helênico? Pensei muito sobre o assunto. Alguns minutos mais tarde percebi o que era ter um atrativo: saber valorizar uma qualidade. Esta capacidade é inerente às mulheres. Elas sabem aquilatar o que é bonito. Mesmo a mais bruaca e balofa das mulheres sabe se fazer bela, colocando um decote generoso, uma calça apertada ou usando algum adereço que chame atenção àquilo que ela tem de interessante. A vaidade feminina é a arte do bom engodo.
Uma coisa que amo é o dia internacional da mulher.
Sou anarquista, não corroboro essas datas comemorativas criadas pelo sistema capitalista para aumentar o consumo criando a necessidade de presentear. O dia internacional da mulher é, para mim, apenas o dia do aniversário do meu irmão. Assim, ele receberá a devida ovada com farinha no jogo do sábado. Uma tradição que ele odeia e eu amo. Viva o dia internacional da mulher! Viva o dia de jogar ovo com farinha no Giuliano.
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fin |
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