Não gosto de expectativas e gosto do superação

Detesto expectativa.

Recebi um email do Fatorama (jornal semanal de notícias): Favor informar sua graduação e especialização e encaminhar foto.

Putz, pensei, fui descoberto! As crônicas idiotas que escrevo chamaram a atenção de J (o dono).

Respondi solicitamente ao semanário. No domingo não o recebi. Nem no outro. Escrevi de volta: qual era o motivo do email anterior? A resposta: O diretor queria saber se você era alguém influente.

Não, não sou. Por isso perdi a assinatura grátis do jornal. E não escreverei em lugar algum.

Detesto expectativa. Crio uma ilusão, uma vontade de ver as coisas melhorarem e, de repente, BAM, os sonhos desmoronam, lá de cima, do devaneio que inventei. Foi assim com o Fatorama, com a Copa do Mundo, com o Lula.

O mais chato é ficar sem ler os artigos do Tão e o cordel do Ademar.

Gosto de superação.

Vi o Ronaldo numa foto no jornal Correio Braziliense e nem o achei gordo, parecia até muito bem. Na matéria, aprovei suas opiniões. Me pareceu um cara motivado e muito bem relacionado. Sei que passou muitas dificuldades para chegar onde está agora.

Outro dia, ele me ligou.

- Oi, Ronaldo. – Respondi feliz, era a segunda vez que me telefonava.

- Viu a matéria no Correio?

- Claro!

- Agora que a Copa acabou, vamos dar seqüência ao trabalho.

- Ótimo! – Foi o que consegui dizer, afinal, eu estava falando com o Ronaldo, um ídolo, e dava-me o direito de ficar meio abobado.

- Divulgue a notícia.

- Sim, claro. – Despedimo-nos. Fiz a dança da felicidade na sala, logo teria um conto publicado numa coletânea organizada pelo Ronaldo Cagiano.

fin

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