| Uma coisa que gosto é
contemporizar e uma coisa que não gosto é traição
Uma coisa que gosto é contemporizar
Estava num casamento com minha mulher. Todos enchiam a cara de uísque. Eu mesclava com água, não queria mais beber. Fomos cumprimentar a noiva. Seu irmão, bebaço, pegou meu copo e jogou a água na minha cara. Simples assim. Pensei nas três formas mais fáceis de derrubá-lo e/ou machucá-lo, mas apenas sorri ao fitar seus olhos desfocados. - O que é isso? Gritou minha mulher. O que esse estúpido tá fazendo? Ele é louco? Segurei seu braço e a puxei dali. - Calma. Mais tarde, a noiva veio ter conosco, maquiagem meio borrada. - Desculpem, pelamordedeus. Choramingou a dois quase estranhos amigos do marido no dia do seu casamento. - Não se preocupe. Falei num tom baixo de voz. Não aconteceu nada. Tá tudo bem. Minha calma a relaxou. Ela voltou à festa. E eu voltei para casa, com minha mulher, me sentindo maduro, afinal, eu pesara a balança dos acontecimentos e decidira agir pelo bem daquela que era a melhor pessoa, a noiva, e não contra o pior, o idiota do irmão.
Uma coisa que não gosto é traição
- Teu amigo é um canalha. Disse-me a garota. Concordei tristemente. Um sacana sem respeito. Um escroque! Espantei-me com a palavra. Um biltre. Um idiota. - Idiota não. Retruquei. - Vai defender aquele verme? Gritou avermelhada. - Aquele verme é um canalha, Expliquei. mas não é um idiota. - O que? Ela começou a ficar roxa. Imaginei como iria explicar que aquele amigo era, na verdade, muito bacana, gentil, generoso e companheiro, porém tinha defeitos como todo mundo, mesmo que fosse trair suas mulheres. Ele simplesmente trocava de companheira ao bel prazer, abandonando a humilhada ex-parceira como se fosse lixo. Eu tentava contemporizar as situações, mas ele não estava nem ai. Porém, não queria deixar de defender meu amigo, o escroque, o biltre com suas mulheres porém companheiro dos outros. Um cara estranho, pensando melhor. - O cara é sacana.- Enfatizei. Mas não é idiota. - Que diferença faz? Guinchou. E tinha razão.- É um filho de uma quenga! Era. Aquiesci com a cabeça. Ao menos deixei claro que ele ainda era meu amigo, embora fosse um cabeça-de-bagre. Tenho tentado seguir os ensinamentos de Nonf Odaou Trem, o guru haitiano, que prega a paz entre os desiguais, e se não posso falar pelo bem de alguém, devo me calar.
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fin |
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