O segredo do Smoking

 

A seca estava me matando!

Ninguém tinha maconha. Eu já havia procurado todos os viciados que conhecia e ninguém tinha nada. Nem ao menos uma salva para amenizar a vontade.

A polícia queria receber um aumento de salário do governador e tentava mostrar serviço. Havia furado todos os carregamentos de drogas vindos de outros estados. Os policiais eram bem remunerados para fechar os olhos ao tráfico de erva, mas naqueles dias mudaram a rotina. Tolerância zero.

O telefone tocou. Era o Dan. Eu pouco o conhecia mas sabia que ele era um usuário compulsivo.

- Você ainda quer arrumar o vídeo-cassete? Tô com o canal. - Ele falava em código. Tinha medo de ser interceptado no celular. Vídeo-cassete era maconha. - Tem DVD também. - DVD devia ser cocaína.

- Só o vídeo. Tá quanto?

- Tem que pegar lá na serra. - Explicou antes de falar o preço. A serra era um lugar pouco hospitaleiro. - Meio por quatrocentos.

Estava barato. Normalmente meio quilo de maconha custaria quinhentas pratas. Eu só consumia cinqüenta gramas por mês, mas sabia que o Dan consumia bem mais. Se a gente comprasse meio quilo àquele preço, quatrocentos, eu poderia revender cada cinqüenta gramas por cinqüenta pilas. Dos duzentos e cinqüenta que seriam meus, recuperaria os duzentos do investimento inicial e ainda ficaria com cinqüenta gramas livres para mim.

- Topo. - O problema era buscar a maconha na serra, um lugar pobre e violento. Vambora?

- Eu te pego na esquina. - Desligou.

Enquanto esperava comprei um pacote de papel de cigarros na banca de jornal. O Gol GTI vermelho apareceu e logo voamos pelas estradas para a serra. Um grande baseado surgiu nas mãos de Dan.

- Isso é maconha ou um charuto cubano? - Diverti-me com o tamanho do cigarro.

- É o último. - Falou Dan enquanto dirigia com os joelhos. Ele acendia o baseado protegendo-o do vento da janela.

- Esse baseado tem maconha para eu usar durante dois dias. Você é muito exagerado.

Fumamos tudo antes de passar por um posto policial. Chupamos balas e mantivemos os vidros abertos. Eu sentia meus olhos escorrendo pelo rosto. Dan diminuiu a velocidade e acenamos para os homens da lei. Logo ele afundou o pé e deslizávamos pelo asfalto com um risco vermelho na paisagem.

Coloquei o cinto de segurança e confiei na pilotagem do motorista. Durante todo o dia, sempre que eu comentava os bons atributos do carro, Dan acelerava mais e fazia curvas usando a tangente. Ele cortava os outros carros e assustava os pedestres. Eu apenas ria; estava muito doido para reclamar.

Chegamos numa oficina mecânica. Um lugar humilde, com apartamento em cima. Dan teclou no celular e falou que "já estava esperando".

- Logo ele desce. - Falou.

- Ele é seu amigo? - Perguntei.

- Aqui ninguém tem amigo. - Ele falou e eu concordei. - Ele me considera. Apenas me considera. - Dan usava um grande óculos-escuros redondo e colado no rosto. Eu não via seus olhos. - Ontem tentei fazer uma correria. - Correria era como ele chamava uma compra de maconha. Ele ia direto aos traficantes, dispensando os intermediários, economizando uma boa grana com isso. - Não achei nada.

Um homem desceu do apartamento. Menos de trinta anos mas curvado como um velho, sem camisa e com tatuagens grosseiras. Dan me apresentou e o homem apenas meneou a cabeça.

- Cumé? - A voz era baixa e mal pronunciada. - Vai pegar o quê?

- Da preta. - Disse Dan.

- Maconha não tenho mais. Cabô. Ninguém têm. - Falou o homem. Ele limpou com um pano velho a lanterna de um Fiat 147 e depois enxugou a testa.

- Mas você disse que tinha! - Reclamou Dan, com uma ênfase que achei desnecessária.

- Vai bronquear? - O homem virou-se e voltou para a escada. - Não é culpa minha. Os canas pegaram as "missão". - Uma missão deveria ser o carregamento. - Deram uma prensa no Neguim e ele entregou tudo. Neguim filho-da-puta. Tem gente que vai matar ele.

- O Nivaldo tem? - Perguntou Dan.

- O Nivaldo quer me matar. - O homem subiu dois degraus da escada. - Não sei. Dizem que tem. Eu não vou lá.

Voltamos pro Gol e Dan disparou como um foguete. Chegamos à entrada de um conjunto residencial humilde. Ruas de asfalto cruzavam com ruas de terra batida. Os lotes eram cercados por altos muros de alvenaria, com cacos de vidro ou pontas de ferro no umbral. Não haviam espaços entre os lotes. Todo o lugar parecia um grande labirinto de cimento.

O carro acelerou e freou a cada esquina. Perdi-me no meio de tantas curvas. Fiquei mais tempo prestando atenção às garotas da rua que o caminho que percorríamos.

- Quanta gostosa!

- A maioria é feia. São as raimundas do lugar. - Ele também estava notando a quantidade de garotas andando nas ruas ou simplesmente paradas em frente aos muros.

Dan encostou o carro e ligou pelo celular. "Tô na frente de seu portão".

- Ele já tá vindo. - Virou-se para mim. - Tá na rua de cima.

Logo chegou o traficante. Uns vinte anos, magrelo, de bermuda e sandália.

- Não tô ficando no barraco porque a polícia tá atrás de mim. - Explicou enquanto apertava nossas mãos. Olhou para o maço de cigarro no bolso do Dan. - Sabe como é, né? Ex-presidiário, eles têm minha foto. Tem um pito? - Dan acendeu um cigarro e o deu para ele. - Minha mulher também tá fugida. Tô sem a chave. - Olhou para os lados e escalou o muro como um macaco. Segurou-se pelos trincos do portão. - Tomara que os ladrões não me vejam fazendo isso. - Comentou antes de pular para dentro do lote.

"Eles não conseguiriam pular o muro desse jeito", pensei, "acho que esse traficante tá na profissão errada". Em instantes o portão estava aberto e o magrelo nos chamava para dentro. O muro escondia um humilde barraco de madeira. Limpo, organizado, mas um simples barraco de teto de zinco e chão de cimento com Xadrezinho.

- Quer farinha? - Perguntou.

- Não, só erva. - Respondeu Dan.

- Vou parar de mexer com erva. - Ele resmungou e abriu a máquina de lavar roupa. Puxou uma caixa de sabão em pó e esparramou o conteúdo sobre a tampa da máquina. Com o sabão caiu alguns pacotes de maconha. - Coca dá mais lucro.

- Quanto? - Dan pegou um pacote e o abriu. Cheirou o conteúdo e me passou para provar também. Devia ter umas trinta gramas.

- Cinqüenta.

- Tá doido? - Retrucou com a mesma veemência da outra vez. - Nem vale vinte.

- Ninguém tem, cara. - O magrelo tomou o pacote das mãos de Dan. - O Magno tá passando quarenta por setenta.

- Vamos levar uma pedra? - Dan me perguntou. - Só de garantia?

- Claro. - Puxei a carteira e paguei ao traficante. Aquela quantidade me supriria por uma semana.

Antes de sair Dan perguntou pelo Nivaldo. Eu achava que o magrelo fosse o Nivaldo.

- O Nivaldo apagou um cara da minha área. Não quero sabe dele. - O celular do magrelo tocou e ele disse que já ia abrir o portão. - Dizem que ele tem, não sei. - Outros consumidores apareceram pelo portão. Um loirinha com o vasos arrebentados no nariz e um garotão bem vestido e sorridente.

- Quanto tá a branca? - Perguntei pela coca. Queria me manter informado.

- Cinco gramas por setenta. - Ele olhou para o casal, anunciando também para eles o preço. - Tenho balança eletrônica aqui em casa.

Procuramos o Nivaldo durante horas pelas ruas da região. Conversamos com os mais amalucados tipos. A maioria dizia que sabia onde ele estava. Entrava no carro do Dan, levava-nos para algum bar ou para a casa de alguém e depois desconversava. Pareciam apenas querer passear no Gol. Fumamos uns cinco baseados durante as buscas. Dan pilotava e eu preparava os cigarros com o papel que havia comprado na banca de jornal. Eu sentia que logo me perderia definitivamente naquelas ruas muradas.

Finalmente avistamos os amigos do Nivaldo. Dan aproximou-se com o carro de um grupo que estava apoiado nas escadas de uma casa. Um garoto armado encostou na janela.

- Quié? - Olhou bem para o Dan e depois para mim.

- Maconha. - Respondeu o Dan, secamente. Ele perguntava tanto pelo Nivaldo que achei que ele tivesse alguma intimidade com o cara. Parecia que não.

- Só tenho da branca. - O garoto olhou de volta para seu grupo e falou aos berros. - Você tem maconha, Magno? - Um rapaz encorpado confirmou com a cabeça. Nivaldo voltou-se para o Dan. - O Magno tem.

- Magno? Não, obrigado. - A marcha já estava engatada e Dan acelerou o carro. Rapidamente voltamos à pista principal.

- O que houve? - Perguntei. - O tal Magno tinha maconha.

- Esse Magno matou um conhecido meu. Não gosto dele. - Dan trocou de marcha e acelerou pelas ruas. Acendeu mais um baseado, "para relaxar" falou, e voltamos à oficina.

O tatuado apareceu novamente.

- O Nivaldo tá andando com o Magno. - Falou Dan assim que chegou-se ao tatuado.

- Então é sujeira! - O tatuado concordou. - O Magno foi o cara que matou no assalto da rodoviária. Ele levou toda a "missão" do pessoal. Querem descobrir onde ele tá se escondendo.

- Ele tá lá com o Nivaldo. - Reafirmou Dan.

- Não quero nem saber. - O tatuado abanou o ar como se espalhasse um peido. - Dizem que ele roubou uns cinco quilos.

Despedimo-nos. Dan me contou que vários traficantes da região combinaram um carregamento num ônibus de linha. O Magno descobriu o plano, matou o aviãozinho num assalto e ficou com a tal "missão". Cinco quilos, segundo o tatuado.

Desistimos da correria naquele dia. "Não vamos conseguir nada hoje" falou Dan.

Quando entrei em casa notei que havia esquecido de pegar um pouco da erva que havia comprado. Tinha deixado tanto a maconha quanto o papel para os cigarros no carro do Dan.

Durante a noite senti-me indócil. Pensava nos assassinatos dos traficantes e no roubo do tal Magno. Ele era apenas um garoto mas já havia matado.

Eu também. Ao menos eu já era um homem.

Decidi voltar à serra. Eu realmente queria um baseado para fumar.

Peguei o capacete da moto e a chave. Procurei minha jaqueta de couro. Lembrei que a havia esquecido na casa de uma namorada. Procurei o casaco mais pesado que possuía. O vento noturno até a serra seria avassalador; eu precisaria de proteção. Não achei nada que servisse, apenas um velho Smoking que aluguei para um casamento. Esqueci de devolver e como ninguém cobrou acabei guardando-o para mim.

Agasalhado como um pingüim, rodei de volta à serra. Fui direto à casa onde vi o Nivaldo e o Magno. Não havia ninguém na frente, já era mais de meia noite. Bati palmas. Uma luz acendeu e logo o Nivaldo apareceu. Ele parecia raivoso. Tinha uma pistola na mão.

- Tá louco? - Apontou a arma para minha cabeça. - Quié?

- Quero comprar maconha.

Nivaldo não me reconheceu. O capacete escondia meu rosto. Ele manteve a arma.

- Aqui não tem droga não! - A voz era rápida. - O que você quer?

- A maconha do Magno. - Respondi. - Sou cliente limpeza.

- Quanto?

- Cinqüenta.

Ele abaixou a arma. Viu que realmente era negócio e não assalto ou polícia.

- Magno. - Gritou Nivaldo. O encorpado apareceu na porta. - Quanto ainda tem? Tem um cinqüenta? - O encorpado confirmou. - Quanto tá? - O encorpado levantou sete dedos. - Setenta pratas. - Disse-me Nivaldo.

- Setenta? - Perguntei, assustado com o preço. - Tá muito caro.

- Tá me tirando? - Nivaldo apontou novamente a arma para mim. - Vai querer ou não?

Peguei o dinheiro do bolso e o estendi para o traficante. Ele o contou e o passou para Magno.

- Leva esse motoqueiro para pegar cinqüenta de erva.

Magno entrou na casa. Instantes depois um portão lateral abriu-se e uma pequena moto apareceu. O encorpado ficava ainda maior sobre ela.

- Segue ele. - Disse-me o traficante.

Não gostei daquela maneira de negociar. Queria ir embora logo com meu pacote de maconha. Segui o encorpado por várias ruas. Ele sumia nas curvas mas eu o alcançava nas retas. Minha moto era mais potente. Chegamos ao final de uma rua sem saída. Magno abriu um portão e entrou no lote. Quando o segui vi que era uma passagem para uma grande área abandonada. Andamos alguns minutos na trilha do mato. Sua moto parou e Magno desceu. Procurou alguma coisa entre uns tijolos ao lado de uma árvore. Quando se virou com o pacote de maconha nas mãos, acertei sua testa com um tijolo.

Eu havia notado que o lugar era ermo. Magno não estava prestando muita atenção à minha presença. Quando ele desceu para procurar algo no mato, imaginei que grande parte do roubo estivesse ali escondida. Muitos traficante tinham mania de guardar suas drogas longe do local onde faziam a negociação, segurança contra a polícia. Desci da minha moto e apanhei um tijolo. Bati com força na cabeça do encorpado.

O traficante tombou sem emitir nenhum som. Fucei o lugar onde ele havia pegado o pacote de maconha e encontrei uma lata de tinta cheia de pacotes. Devia ter ainda dois quilos de erva. Revistei o corpo do Magno. Achei um revólver trinta e oito, um celular, meu dinheiro e uma carteira de couro com unas cem notas de cinqüenta. Guardei a arma num bolso do Smoking e o dinheiro no outro. O celular destruí com a sola do pé.

Cortei o pneu da moto do traficante com meu canivete. Pensei em rasgar a garganta do canalha; logo ele morreria de outra forma mesmo. Bandido tem vida curta. Decidi deixá-lo viver pois eu havia conseguido um tremendo lucro naquela noite.

Voltei com minha moto para a casa de Nivaldo. Parei mais distante, mantive o motor ligado, apaguei o farol e bati palmas novamente. Nivaldo apareceu na porta sem a arma; deve ter reconhecido minhas palmas ou o ronco da minha moto. Mirei o revólver e apertei o gatilho seis vezes. Vi o corpo do traficante ser atingido e depois cair pela escada. Limpei minhas digitais com a manga do Smoking e joguei a arma em cima do corpo. Ele ainda se mexia. O tiro deve ter sido de raspão.

Rodei de volta para casa pensando porque havia atirado em Nivaldo. Eu não tinha uma resposta. Talvez eu não gostasse dele, talvez não gostasse de gente violenta. O medo que ele incutia aos outros traficantes aumentava o terror das rixas na favela. Os tiroteios atingiam muita gente.

Passei numa loja de conveniência de posto de gasolina e comprei outro pacote de papéis de cigarro. Gastei o resto da noite preparando e fumando baseados.

No outro dia acordei com o Dan batendo na porta do apartamento. O dia ia longe.

- Arrumei uma parada. - Falou quando abri a porta. - Vamos fumar!

Ele entrou na sala. Olhei ao redor para ver se havia algo fora de lugar. O Smoking estava jogado no chão do quarto.

- Senta ai na sala. Vou botar uma camisa. - Corri para fechar a porta do quarto. Percebi que o Dan me olhava disfarçadamente.

- Hoje de manhã voltei na serra. - Começou a falar enquanto eu trancava a fechadura. - Depois fui lá no setor de motéis. - Ele procurava algo nos bolsos. - Ninguém tinha maconha mas achei isso. - Dan exibiu uma bolota de haxixe.

- Quanto foi? - Perguntei.

- Vinte cada bola. Comprei quatro por setenta. - Ele sorria de satisfação com o bom negócio.

Dan secou o tabaco de um cigarro, esquentando-o com o isqueiro. Pegou um pedaço de papel laminado e derreteu um quarto de uma bola de haxixe. Cheiramos a fumaça que exalava e fiquei tonto em segundos. Ele esfarinhou a massa de haxixe e a misturou no tabaco seco. Apertou um fino cigarro com o novo papel que eu havia comprado.

- Puxa devagar. - Mostrou como eu devia fumar; em pequenas inalações.

Ao final do cigarro não sabia se estava tonto ou apenas alucinado. Não conseguia manter os pensamentos coerentes. Conversamos algumas bobagens. Eu tratava de um assunto e o Dan de outro. Logo desistimos de conversar e ficamos olhando o nada, pensando cada um numa loucura.

Dan enfiou a mão no bolso e puxou o pacote de papel de cigarro que tinha ficado com ele. Colocou-o sobre a mesa. O pacote tombou sobre a aba e pousou sobre a mesa formando um triângulo. A caixa era vermelha. O novo papel que eu havia comprado era cinza, mas a diagramação era a mesma.

- Vou te contar um segredo. - Dan falou. - O segredo do Smoking.

Assustei-me. Toda a tontura que eu sentia pareceu sumir por um instante. O Dan deve ter visto o Smoking jogado no chão do quarto. Os tiros contra o Nivaldo já deviam ser notícia na serra. Somou dois e dois e sacou que fui eu quem aprontou na noite anterior.

- Lá na serra tá a maior confusão. - Ele segurou o pacote de papel enquanto falava. - O Nivaldo e o Magno estouraram as bocas de outros traficantes. Foi tiro pra todo lado. Disseram que estavam revidando o ataque de um motoqueiro. Uns três caras morreram. O Nivaldo levou bala e o Magno fugiu. A polícia prendeu um monte de gente. Eu mesmo fui revistado. - Dan me olhou e balançou o pacote em frente ao rosto. - Tudo por causa do Smoking.

Minha cabeça trabalhou a mil por hora. Imaginei que se ele fosse me dedar pros traficantes, não estaria falando comigo. Nem me entregaria pra polícia. Devia estar querendo alguma vantagem com a informação. Uma chantagem.

- O Smoking sempre fica aberto. - Ele olhou o pacote de papel. - Eu sempre tentei fechá-lo guardando-o no bolso ou colocando alguma coisa em cima. Nunca dava certo. O pacote sempre abria. - Ele colocou o pacote de papel na mesa, sobre a própria aba. Ficou na mesma posição triangular. - O Smoking estava nessa posição em cima do painel do meu carro. Um tira viu de longe o pacote e me mandou parar o carro. Revistou tudo. - Ele balançava a cabeça. - Ainda bem que eu não tinha nada naquela hora.

- Smoking? - Eu não estava entendendo a história.

- O nome do papel de cigarros é Smoking! - Dan estendeu o papel e vi o nome impresso na aba do pacote. - O segredo do Smoking é deixar o pacote virado para baixo. - Ele botou o pacote na mesa. - Assim o nome do papel fica virado para cima. Serve como propaganda. - Ele abriu um grande sorriso. Sua descoberta era simples e também interessante. Olhei com curiosidade o pacote de papel e notei que Dan estava correto. O pacote devia ser guardado de cabeça para baixo, assim o logotipo com a palavra Smoking ficavam bem à vista. - Só descobri o segredo do Smoking quando tava sendo revistado pelo tira. - Sorriu mais ainda. - Só lembrei disso agora!

O policial, quando viu o papel, deve ter desconfiado que o dono do carro era um maconheiro e fez um revista geral.

Olhei para o Dan e sorri. Ele havia descoberto o segredo do Smoking, o pacote de papel para enrolar cigarros de maconha. O meu segredo do Smoking, do roubo aos traficantes, estava protegido.

 

fin

Gostou? Não gostou? Nem leu? Quer que o Mão Branca vá se foder? Escreva para ele: Mão Branca

<Voltar